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Mitos e verdades que o motorista ouve no posto sobre óleo
lubrificante

 

Veículo: CATVE | Data: 20.10.2020 | Tamanho: DHTML

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Troca de óleo é uma pauta recorrente na vida de qualquer
motorista. Basta parar para abastecer que logo vem a
pergunta pelo vidro do carro: “como está o óleo?”. Parece
simples, mas boa parte das pessoas não têm ideia de “como
está o óleo” ou o que isso significa. É nessa hora que a
pessoa que abre o capô do carro vira autoridade no assunto
e vai dizer o que se deve ser feito – e é nessa hora também
que muitos equívocos acontecem.

Óleo escuro é óleo velho” Viscosidade indica sujeira”
Misturar tipos de óleos estraga o motor do carro? Tem
mesmo que trocar o filtro de óleo a cada troca? Edson Reis,
piloto da Copa HB20 e CEO da TecLub Maxon Oil, que está
entre as 10 marcas de lubrificantes automotivos mais
vendidas do país, respondeu a cada uma dessas perguntas
e revelou mitos e verdades que são facilmente ouvidos em
postos de gasolina e outros pontos de serviços
automotivos.

É possível avaliar o óleo lubrificante pela sua cor?

MITO – A cor de cada tipo e marca de óleo tem a ver com a
tecnologia utilizada. Óleo sintético é sempre mais claro, sua
base é transparente como água, são os aditivos que
mudam sua cor. Já o óleo mineral apresenta grandes
variações de cor, pois essa característica pode mudar de
acordo com o petróleo de onde ele é extraído. Além disso,
há regionalismos nesse mito: as regiões mais ao Sul do país
tendem a acreditar que o óleo claro é melhor, enquanto
nas regiões ao Norte acredita-se que o produto, quando
mais escuro, possui mais aditivos e, portanto, seria melhor.
Edson destaca que o único fato real é que,
independentemente da sua cor, o óleo tem a função de
limpar o motor e logo após iniciar o seu uso ele vai
naturalmente começar a escurecer dentro do motor – o que
é totalmente normal e esperado.

Óleo grosso é sinal de olho velho?

MITO – Assim como a cor, a espessura visual ou tátil do óleo
não é um indicador de qualidade. Mais que isso:
tecnicamente, é impossível se medir a viscosidade do
produto esfregando-o nos dedos, especialmente em
temperatura ambiente. Isso só pode ser feito em
laboratório, com um equipamento chamado viscosímetro,
e simulando as condições dentro motor, já que o produto é
desenvolvido para alcançar a viscosidade certa na
temperatura do carro em funcionamento. Os diversos tipos
de óleo sofrem variações desta propriedade entre si e a
especificação certa é aquela indicada no manual do veículo.
O CEO da Maxon Oil alerta que é comum motoristas
utilizarem um óleo mais viscoso do que o indicado para
tentar minimizar falhas no veículo, como vazamentos ou
queima, mas ao invés de ajudar, esta ação pode agravar
problemas mecânicos.

É sempre preciso trocar o filtro de óleo?

VERDADE – O filtro de óleo é um item essencial para o
processo de limpeza do motor. O óleo limpa e o filtro retém
essa sujeira. Vale destacar que o lubrificante, se usado
corretamente, nunca vai danificar o motor de um veículo.
Já a falta dele, sim. E não trocar o filtro, ou escolher filtros
de baixa qualidade, podem fazer com que o óleo não
circule como deveria e causar sérios danos. Sem falar que
é um produto relativamente barato que não encarece
substancialmente o serviço durante a revisão do motor,
então não há motivos para não trocá-lo sempre que
renovar o óleo.

Óleo sintético é melhor que óleo mineral?

MITO – Esses são dois tipos diferentes de óleos lubrificantes
e não se classificam entre melhor e pior. São produtos com
características distintas e o melhor é aquele indicado no
manual de cada veículo. Por exemplo: é sabido que o óleo
mineral se desgasta mais rápido que o óleo sintético,
porém, justamente por isso que veículos cujos fabricantes
recomendam esse tipo de lubrificante já vêm com a
recomendação de um intervalo de troca menor. As
principais diferenças entre eles são: que o óleo mineral é
refinado do petróleo, se desgasta mais rápido e geralmente
custa menos para o consumidor; já o sintético é feito a
partir de bases sintéticas, tem maior durabilidade e pode
sair mais caro.

Misturar óleo sintético e mineral estraga o motor?

MITO – Caso o motorista tenha feito uso de um tipo de óleo
– por engano, por exemplo – e precise mudar para o outro,
seja do mineral para o sintético ou vice-versa, isso não vai
gerar nenhum problema para o motor do carro. Edson Reis
explica que essa ideia tem origem no antigo mercado de
lubrificantes, quando a tecnologia não estava tão bem
desenvolvida e a mistura de óleos podia promover o
encontro de substâncias incompatíveis, que juntas
poderiam danificar o veículo. Porém, a tecnologia se
desenvolveu e alguns aditivos foram abolidos desta
indústria por poder causar mais problemas do que
soluções. Hoje, as melhores marcas do mercado usam
tecnologias com boa compatibilidade e o encontro de
lubrificantes sintéticos e minerais dentro do veículo é
praticamente inofensivo, existindo inclusive óleos
semissintéticos que usam proporções variáveis dos dois
tipos de base, aproveitando as melhores características de
cada um deles e otimizando custos. Mas existe uma
verdade por trás deste mito, pois sempre o lubrificante de
qualidade inferior, vai anular os benefícios do lubrificante
de qualidade superior, por isso caso seja necessário utilizar
um produto com qualidade superior ou inferior ao já
utilizado, sempre deve-se fazer a troca total do lubrificante,
já quando for necessário apenas completar o óleo do
cárter, deve-se sempre utilizar um produto com a mesma
especificação utilizada na troca, evitando que a vida útil do
lubrificante seja comprometida. É importante lembrar que
sempre o lubrificante ideal para o veículo é aquele
especificado pelo fabricante do mesmo.

Carro que pega muita estrada precisa ter o óleo trocado
com mais frequência?

DEPENDE – A frequência de troca do óleo lubrificante é
recomendada de acordo com a quilometragem do veículo
ou por tempo de uso do produto. Basta seguir a
recomendação indicada pelo fabricante no manual do
veículo, que geralmente recomenda intervalos de troca
menores para regime de uso severo. Edson explica que o
desgaste de cada veículo pode ser classificado entre leve,
moderado ou severo de acordo com o uso em rodovia, vias
urbanas ou estradas rurais/precárias, mas que isso já é
pensado nas recomendações de troca de óleo. Segundo
ele, nesse quesito o grande mito está em acreditar que o
carro com maior quilometragem é sempre o que teve
maior desgaste, sendo que, ainda que marque muitos
quilômetros rodados, um carro que trafega mais em
rodovias provavelmente possui bem menos desgaste do
que um veículo que se desloca apenas dentro de cidades,
precisando acelerar e frear muitas vezes mais, por
exemplo.

É bom fazer flushing (lavagem do motor) com frequência?

MITO – A lavagem do motor não é um procedimento de
rotina. Só é necessária em situações bastante raras e com
certa gravidade – como desrespeitar em muito o prazo de
troca do óleo ou o veículo alcançar com uma
quilometragem muito alta. O lubrificante já tem como
função limpar o motor, então a lavagem não é necessária.

O CEO da Maxon Oil explica que o produto traz na
composição aditivos detergente e dispersante, insumos
que servem para limpar o motor e ao mesmo tempo
manter a sujeira solta (não deixá-la grudar nas peças), por
isso ela é eliminada na troca de óleo. Se o filtro sair com
muita sujeira, é porque o lubrificante cumpriu bem seu
papel e está tudo certo. Fazer o flushing com frequência
não traz danos, mas é um investimento desnecessário.